Mortes no Hemisfério Sul por Gripe A não foram superiores às da gripe sazonal

Categorias: Gripe A, Notícias em October 25, 2009

As mortes por gripe A H1N1 no Hemisfério Sul, onde terminou o Inverno, não foram superiores à média anual verificada com a gripe sazonal, mas ocorreram em pessoas mais jovens, segundo o Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças. A avaliação de risco produzida pelo Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças (ECDC) indica que «há algumas lições importantes a aprender da experiência no hemisfério Sul», disse à Lusa Paulo Moreira, da comissão executiva do ECDC.

Uma das lições foi que, «de uma forma global, o número de fatalidades não foi superior à verificada, na média anual, com a gripe sazonal. No entanto, as mortes ocorreram, de facto, em grupos etários muito mais jovens», salientou. A maioria das pessoas com o vírus H1N1 deverá sofrer sintomas ligeiros, ainda que possam ocorrer casos de doença mais grave, como foi também verificado no Hemisfério Sul.

Outros dados relevantes para o que poderá passar-se no Hemisfério Norte indicam que a transmissão neste hemisfério continuou a acentuar-se durante o Verão. Por isso, o ECDC admite que a onda de gripe H1N1 conjugada com a gripe sazonal possa ocorrer um pouco mais cedo do que o habitual este ano.

Por outro lado, adiantou Paulo Moreira, não há razão para que um sistema de saúde bem organizado sofra situações de ruptura nos serviços de saúde motivados pela afluência extra associada a este vírus.

«Isto deve-se ao facto de, no Hemisfério Sul, não se ter verificado uma procura superior à habitual na época», salientou, ressalvando que, ainda assim, é de esperar «alguma pressão extra nas unidades de cuidados intensivos nos hospitais».

Questionado pela Lusa sobre se o tempo quente que se registou em Portugal poderá ter atrasado a propagação do vírus, Paulo Moreira afirmou que as relações directas com estes fenómenos estão sob investigação.

«Não há ainda dados que permitam comentar de uma forma sólida essa relação», sustentou à Lusa. Sobre a existência de alguns receios novos em relação ao comportamento do vírus, Paulo Moreira afirmou que «não há evidência gerada pelo Hemisfério Sul que possa sugerir uma evolução epidemiológica e comportamento viral diferente no hemisfério norte nos próximos meses».

No entanto, o ECDC vai continuar os seus processos de monitorização próxima de todos os fenómenos associados ao vírus dentro do seu mandato de avaliação do risco em saúde pública na União Europeia em colaboração com todos os governos. O ECDC tem acompanhado a evolução do vírus e publicado artigos científicos na sua revista Eurosurveilance.

Lusa

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